Paulo: do coração violentado à alma despojada

março 12, 2017 11:00 am Publicado por Deixe um comentário
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Por quantas vezes violentamos nossas vidas com o pecado, deixamos que o desejo desordenado seja nossa bússola, tomando mentiras como absolutas verdades. Até onde vamos dando espaço para uma mudança de vida? Ou ainda estamos no erro de achar que está tudo correto? Até onde vai nossa autossuficiência em achar que uma mudança não é necessária?

Iniciamos no dia 01 de março o tempo litúrgico da quaresma, mais que um tempo litúrgico, a quaresma é um chamado a uma vida nova. E falar de vida nova é falar de uma pessoa que teve a coragem de viver uma conversão real de vida: Paulo de Tarso!

A história de conversão de Paulo, que antes era chamado de Saulo é bem conhecida, relatada no livro de Ato dos Apóstolos e porque não dizer também em suas cartas às comunidades que ele acompanhava (Coríntos, Galácia, Tessalônica, etc). Um homem que perseguia aqueles que acreditam em Jesus como o Messias e até apedrejados que se diziam cristãos, como fez com Estevão. Mas Paulo foi surpreendido, suas ideias, seus pensamentos, sua crença, sua posição diante daquilo que ele perseguia, Paulo caiu do cavalo, e isso aconteceu literalmente.

Se lermos At. 9, 1-22 é a narração dessa experiência real com a pessoa de Jesus.

Como tem a nos ensinar esse homem que viveu com radicalidade um chamado pessoal de Deus. Radical porque conhecendo a vida de Paulo, acompanhamos que ele foi também perseguido por sua decisão em pregar sobre Jesus, passou fome, foi açoitado, caluniado, ele sabia que não adiantava mais viver algo superficial, assim também para nós, não adianta vivermos mais uma quaresma superficial. O superficial aqui é sem mudança, sem conversão. Jesus foi para o deserto, passou 40 dias, essa espera, esse tempo antecedeu seu discurso messiânico, antecedeu sua pregação da Boa Nova, Paulo também foi ao deserto, num caminho para Damasco, todo seu mundo até ali construído, caiu, assim como ele, mas ouve também um erguer-se através da escuta de uma voz: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Mas levanta-te…”e a partir dali sua vida foi transformada, ele saiu da sua vida monótona, mecânica para uma vida em movimento, para uma vida evangelizadora. Que esses quarenta dias sejam um deserto, que anteceda uma transformação de vida, que possa haver uma mudança de pensamento, uma adesão à vida nova.

Paulo ficou sem enxergar, isso não só durante aqueles dias, mas durante uma vida toda. Estamos a quanto tempo sem enxergar aquilo que está bem a nossa frente? Até quando vamos estar cegos para as coisas erradas? Cegos para o pecado? Até quando vamos persistir naquilo que nos fere e desagrada a Deus? Paulo nos deu o exemplo, coragem. Quando ele retomou a visão ele não voltou nunca mais àquela cegueira, falo aqui a cegueira da alma, ele não voltou mais às coisas velhas. Houve uma mudança.

Jesus chamou a Paulo e também chama a você!

Você peca? Desagrada a Deus com sua vida? É lento nesse processo de conversão? Erra? Não se acha digno de Cristo? Jesus já afirmou: Está consumado! A realidade de uma vida nova é real, basta você querer.

Que a quaresma lhe conceda uma vida desposada, ou seja, uma vida ligada a Jesus intimamente como foi a vida de Paulo, que o passado não condicione seu presente, pelo contrário, que ele motive à uma vida nova, uma vida transformadora, à uma vida desposada.

Paulo conseguiu e pela ação do Espírito Santo eu também consigo!

Thiago Vasconcelos / Comunidade Católica Kadosh