Tomé: em meio às dúvidas, uma fé convicta.

março 19, 2017 10:31 pm Publicado por Deixe um comentário
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Nas realidades da vida ninguém quer ser aquele cujas referências são sempre negativas em relação à vontade de Deus, não queremos nunca ser os “incrédulos”, os que não abriram o coração, os que questionaram a voz do Altíssimo. Ninguém quer ser como Tomé.

Ao ler este nome uma só passagem vem a nossa mente, uma referência clara: Tomé foi aquele que duvidou de Jesus, questionou sua ressurreição, pediu para tocar seu lado aberto. Quanto incrédulo era esse homem. Como, sendo um dos doze discípulos, ele ousou duvidar do próprio Cristo? Ninguém quer ser como Tomé.

Assim como lembramos facilmente deste perfil atribuído a Tomé, também conseguimos trazer em memória um milagre de Jesus bastante citado: a ressurreição de Lázaro. É aqui, neste milagre, que um detalhe normalmente passa despercebido por nós: quando Jesus manifesta interesse em voltar à Judeia, local de onde haviam sido expulsos a pouco tempo, os discípulos contestaram, tiveram medo, não queriam ser apedrejados, mas um dentre eles quis voltar prontamente e afirmou “Vamos nós também para morrermos com ele”. Foi Tomé que neste momento (João 11:16), quis acompanhar o mestre e, se preciso fosse, morrer pela missão. Quem é este Tomé?

Reparemos então num segundo ponto, Tomé não estava na primeira aparição de Jesus, na passagem do pentecostes. Ele não estava trancado com os demais com medo de ser crucificado, ele estava lá fora, destemido, convicto de sua missão, ainda disposto a morrer pelo Evangelho. Quem é este Tomé?

Temos em Tomé um homem de fé, convicto de sua missão, enraizado em suas experiências ao ponto de não temer nenhuma ameaça. Quanto desta coragem nos falta hoje. Quantas vezes mascaramos nossa fé por ameaças minúsculas se comparadas a uma morte de cruz. Inúmeras são as vezes em que queremos adaptar nossa crença no Evangelho aos ambientes em que estamos, por medo de rejeição ou das interpretações alheias. Devemos então ser como Tomé?

É preciso se autoconhecer, assim como nosso protagonista de hoje sabia que, mesmo ouvindo falar por seus companheiros, precisaria ver com seus próprios olhos uma prova concreta da ressurreição para seguir firme em suas ações, é preciso sair da superficialidade de nosso “sim”, para entender e então pedir ao Pai as respostas concretas das coisas que ainda geram dúvida e instabilidade em nossa caminhada. Sem vergonha de parecermos imaturos ou ingratos diante da graça de Deus, se faz necessário clamar de forma sincera e convicta pelas respostas e experiências pessoais que firmarão nossos pés na Verdade e lançarão fora quaisquer receios que venham a surgir. O pedido de Tomé foi sincero, real, e por isso foi atendido. Jesus foi ao seu encontro e proporcional à vivência que ele precisava para reconhecer e afirmar sem sombra de dúvidas que ali estava Aquele pelo qual encontrou a vida. Não se tratava de uma fé pequena mas sim de uma fé tão grande que não temia em ser sincero e escancarar suas necessidade humanas diante do Amado. Sejamos como Tomé.

Que neste tempo de quaresma deixemos descobrir as instabilidades que impedem a edificação de um alicerce firme para a nossa caminhada. Que através deste tempo litúrgico, amparados por nossas orações, jejuns e penitências, deixemos consumar as brechas humanas e espirituais que turvam nossa visão e nos impedem de vislumbrar o caminho de salvação, paz e felicidade que Cristo já nos possibilitou viver.

Que em nosso domingo de Páscoa nosso Aleluia entoe a certeza expressada por Tomé, que soa como um alívio diante de toda a tibieza existente, uma afirmação capaz de nos fortalecer sobre qualquer combate e impulsionar nossos corações para realidades que nunca antes sonhamos em tocar. Que muito em breve, ao fixar os olhos num Cristo ressurreto, uma só seja a verdade enraizada em nossos coração: és Ele “Meu Senhor e Meu Deus!” – Jo 20:28.

Matheus Carvalho / Comunidade Católica Kadosh