Por que o mundo faz essa ligação entre santidade e ser nerd?

maio 30, 2016 4:38 pm Publicado por Deixe um comentário
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No filme, os Nerds eram jovens que eram vistos como pessoas que não se encaixavam nos grupos que se relacionavam, que não eram como os outros, que tinham manias e jeitos diferentes de viver a vida, e neles existia um profundo sentimento de rejeição que fazia com que criassem o seu próprio mundo, o “mundo dos nerds”.

O termo Nerd perpetua até hoje em nosso vocabulário e continua sendo usado para esse tipo de pessoas que não se encaixam em grupos, que são diferentes, caretas, tontas ou que deixam ser passadas pra trás, estudiosas, que gostam de leitura, são atraídas por cinema, que são anti-sociais e saudosistas, gostam de literatura, tecnologia, coleções, filmes de ficção científica, história em quadrinhos, e que são muito inteligentes.

Se analisarmos, veremos que naquele que é Nerd existem qualidades muito boas como: ser diferente no comportamento, gostar de leitura, gostar de cinema, ser inteligente etc…mas é claro que muitas dessas qualidades são vividas num exagero ou até como um meio para a auto-afirmação deles.

Mas esse termo não tem se aplicado somente a comportamentos ou jeito de viver a vida, mas tem sido um rótulo colocado sobre muitos jovens que têm uma busca de santidade, que têm uma vida com Deus e um compromisso com o serviço para Deus.

Muitos jovens católicos carregam um peso nas costas por serem chamados de Nerds em função da sua opção de vida e às vezes não conseguem nem se posicionar diante dos outros ou mostrar que existe uma diferença no que se busca ser e viver…

Por que o mundo faz essa ligação entre santidade e ser nerd? Porque acham que nos dois casos são comportamentos ou jeito de viver alienados e que assumem uma personalidade de “bobão” ou sem atitude.

É obvio que no mundo de hoje isso vai incomodar muita gente, porque, se analisarmos, não está mais existindo uma autenticidade na vivência de cada um. Não existe mais o “meu jeito de pensar”, o “meu jeito de me vestir”, o “meu jeito de me posicionar”. Hoje ninguém mais quer ter esse trabalho de pensar com a própria cabeça e tirar as conclusões e opiniões. Querem tudo pronto, e a grande conseqüência é o que vivemos hoje: poucos pensam (e que nem sempre tem uma reflexão correta como resultado) e todos aderem.

Nossa geração é uma geração carente e insegura, todos parecem ser fortes, vigorosos, autênticos, decididos, mas no fundo não é isso que existe. No fundo, trazem uma grande marca de falta de referência e um exemplo a ser seguido que só traga benefícios para a vida.

O Nerd cria um mundo onde ali terá a chance de ser aceito, autêntico e que vai sentir que vive bem (mesmo que seja um “viver bem” do seu jeito). Já o jovem santo não cria um mundo e sim entra num mundo em que descobrirá o seu verdadeiro potencial, alegria e terá uma grande referência, que é Jesus, para construir a sua vida, sendo esse ideal o grande remédio para a insegurança.
A carência se tornou uma “doença” nos dias de hoje na vida do jovem, isso tudo pela grande falta de amor que temos experimentado, do individualismo, egoísmo, por não encontrarmos o nosso lugar real no mundo, busca de autenticidade e, principalmente, por não conseguir tocar os próprios sentimentos e desejos com profundidade e transparência para ver de que realmente temos sede.

Se silenciarmos o nosso coração e fizermos a seguinte pergunta: “Do que é que eu tenho sede?”, a única e verdadeira resposta que teremos é: “Tenho sede da santidade!”.
A santidade para a nossa juventude é o maior projeto de vida que podemos querer e que recebemos de graça de Deus. Tantas propostas nos são apresentadas como meio para sermos e nos sentirmos saciados e algumas são até muito caras, como: investir no carro do momento, na roupa da moda, no visual sexy e sedutor, na luta contra a velhice com medo de perder o potencial de conquista e tantos outros que poderíamos escrever uma matéria só para isso, mas nada disso pode saciar o nosso coração como o amor de Deus que é o grande combustível da santidade.

A santidade do jovem não aliena, não é irreal, não é para quem não tem coragem ou para quem não tem o que fazer, é para quem toca a necessidade do coração e reconhece que precisa de mais.

Tenho uma música que diz assim: “o meu coração quer mais e mais, mais e mais e mais…. Ele quer Jesus!” (essa música se chama Vou te seguir) e ela expressa a grande sede que o nosso coração tem de encontrar um verdadeiro ideal de vida, um verdadeiro caminho e viver na verdade do que vale a nossa vida.

Não assumimos um “Alguém” na nossa vida se não temos uma experiência com Ele. Não começamos a namorar alguém sem que ao menos saibamos como a pessoa se chama, quantos anos tem, do que gosta… sem isso não conseguimos iniciar o mínimo de um relacionamento. Com Deus não é diferente, a santidade na juventude se dá através da experiência que fazemos com o amor d’Aquele que nos chama e que nos ama até o ciúme e, a partir disso, vemos que vale a pena responder a Ele e viver com Ele.

A partir dessa experiência com o Amor, permitimos que Ele transforme a nossa vida, nossas atitudes, comportamentos, maneira de se relacionar, criamos uma vida de intimidade com Ele e descobrimos a verdadeira felicidade. De maneira prática, esse amor que gera santidade nos faz transformar tudo aquilo que faz parte da nossa vida: nossa vida familiar, vida profissional, como estudante, com os amigos, e com a gente mesmo.

Santidade da juventude é fazer com que o coração viva o grande chamado, o grande sonho de Deus que é fazer a vida valer a pena. Encarnar a juventude de Cristo na nossa vida e mostrar para nós mesmos e para o mundo que somos verdadeiramente felizes.

Com isso, concluímos que ser santo e ser Nerd são coisas muito diferentes, pois não nos fechamos num mundo, pelo contrário, saímos de um mundo que nos abafa para respirar o ar da felicidade e da autenticidade que somos chamados desde sempre a viver.

Nosso Papa João Paulo II nos diz: “Porventura não é Cristo o segredo da verdadeira liberdade e da alegria profunda do coração? Não é Cristo o maior amigo e, simultaneamente, o educador de toda amizade autêntica? Se Cristo lhes for apresentado com o seu verdadeiro rosto, os jovens reconhecem-O como resposta convincente e conseguem acolher a Sua mensagem, mesmo se exigente e marcada pela Cruz. Por isso, vibrando com o seu entusiasmo, não hesitei em pedir-lhes uma opção radical de fé e de vida, apontando-lhes uma missão estupenda: fazerem-se “sentinelas da manhã” (cf. Is 21, 11-12) nesta aurora do novo milênio.”

Sejamos autênticos e tenhamos coragem de anunciar que Ele é a alegria da nossa juventude.

Nilton Dall’Oca Júnior
Consagrado na Comunidade Católica Pantokrator